13 de jul de 2013

Confira uma entrevista com Estevam Hernandes falando sobre a história do Rock Gospel Brasileiro


Polêmicas à parte e gostando ou não gostando dele, todos têm que admitir  que Estevam Hernandes, o fundador da igreja Renascer em Cristo foi um dos maiores compositores e incentivadores do chamado Rock Gospel no Brasil. Ele ajudou a propagar o som de bandas de rock importantes como Katsbarnea, Resgate, Praise Machine, Oficina g3, Militantes, Metal Nobre, dentre outras. Hernandes acaba de lançar o álbum Inesquecível, com músicas nas quais ele foi compositor (basicamente todas interpretadas pelo Katsbarnea)

Confira a entrevista que ele concedeu ao blog Insoonia falando sobre o Rock e o cristianismo no Brasil:

O senhor foi o precursor do que se conhece como gospel rock nos anos 80, uma época em que ainda havia muito preconceito entre os religiosos com respeito à música. Como surgiu a ideia de juntar o rock’n'roll com temas cristãos?
Estevam Hernandes: Eu sempre gostei de rock. Não acredito que exista nenhuma restrição em relação ao ritmo através do qual louvamos a Deus. O importante é o que estamos cantando e com qual sentimento. A ideia surgiu naturalmente, fruto de um sentimento que sempre tive de alcançar os jovens e levar salvação a todos.
O Rock sempre foi visto pelos cristãos como “música do diabo”, devido algumas bandas ou músicas serem associadas ao satanismo, como é o caso da música “Sympathy for the Devil”, dos Rolling Stones. Qual foi a reação do público evangélico ao “gospel rock”?
No princípio enfrentamos preconceitos, é claro. Muitos não aceitaram e criticaram. Mas o número daqueles que foram tocados e transformados foi muito maior do que o número dos que nos criticaram. Fazíamos noites de evangelismos às segundas-feiras com muito rock e os jovens enchiam a Igreja. Começamos a tocar em casas de shows e muitos jovens foram restaurados, se livraram de drogas e outros vícios.

A igreja abriu as portas para o rock justo numa época em que o Brasil vivia o auge do rock nacional de protesto, com bandas como Legião Urbana, Ira!, Ultraje a Rigor, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso e outros. Além disso, o Rock sempre foi associado a um estilo de vida desregrado (sexo, drogas & rock’n'roll). Podemos dizer que o gospel rock foi uma alternativa cristã à febre do rock da época?
Ele não foi concebido com a intenção de ser uma alternativa ao rock secular, mas sim ser mais um ritmo usado por Deus para que o louvor chegasse ao povo. Como comentei anteriormente, acredito que todos os ritmos e sonoridades foram feitos por Deus e por isso não há limitações para essa adoração.
Nesse mesmo período o sr fundou uma igreja evangélica, a Igreja Renascer em Cristo, que além de todo o investimento em rock e outros ritmos mantém até hoje um grupo de louvor próprio, o Renascer Praise, já com 17 CDs gravados. Pode-se dizer que sua igreja é uma igreja musical?
Com certeza é uma Igreja marcada por uma visão de louvor e adoração. Nossa vida sempre foi marcada por louvores maravilhosos, por sons que nos foram entregues por Deus e que influenciaram a vida de milhares de pessoas. Pessoalmente fui marcado por uma música em muitas fases do ministério e da minha vida pessoal. Recentemente gravei o CD Inesquecível, que reúne várias dessas músicas, muitas em ritmo de rock´n´roll, como “Extra, Extra”, “Sepulcro Caiado” e “Revolução”. Cada música tem uma história que marcou uma etapa das nossas vidas. Todas as letras que fiz sempre tiveram o objetivo de levar a Palavra de Deus, isso é o mais importante.
A igreja evangélica sempre teve dificuldades em atrair jovens, em partes pelo estilo de vida cristão cheio de limitações. O rock foi uma forma de atrair novamente os jovens?
Acreditamos num evangelho que liberta e não que aprisiona. O rock foi um instrumento usado por Deus para alcançar os jovens, com certeza, mas o que liberta é a salvação em Jesus Cristo.
O Gospel Rock fez a igreja debater temas até então evitados pelos religiosos, como sexo, vícios em álcool e drogas e etc. Dá pra dizer que o Gospel Rock fez a igreja repensar sua existência?
A Visão do ministério que iniciamos há mais de 25 anos foi revolucionária em todos os sentidos e não apenas na música. Até então, não se viam muitos jovens nas igrejas e a religiosidade aprisionava as pessoas com regras impostas. O evangelho que liberta começou a ser pregado em todos os lugares e isso gerou esta grande revolução. Uma das músicas que está no CD Inesquecível, “Revolução” diz exatamente isso: “Revolução está no nome de Deus, seu Filho Jesus, que agora conheci, me libertou das cadeias, dos enganos deste mundo que sabe muito bem como iludir”.
Hoje a música evangélica em si atrai a atenção da mídia especializada e inclusive de gravadoras não-evangélicas, que já sentiram que esse é um nicho importante para se investir. Qual foi a receptividade do gospel rock entre a mídia secular nos anos 80?
Nas gravadoras e rádios seculares realmente houve muita dificuldade de penetração naquela época, mas atualmente este cenário está mudando. Cada vez mais rádios e gravadoras estão reconhecendo a qualidades destes músicos e dos trabalhos realizados por eles e abrindo espaço para que aconteça esta divulgação.
Além das músicas evangélicas, quais são suas referências musicais?
Tenho um gosto musical eclético, que abrange não apenas o rock, passando por Rita Lee, Ivan Lins, Mutantes, Ira, Paralamas até Bob Dylan, Beatles e Rolling Stones.
Apesar de ter escrito tantas músicas para tantas bandas de rock o sr nunca havia gravado um CD. Só agora veio o álbum Inesquecível, que resgata toda essa história do rock gospel brasileiro. Por que só agora a gravação do CD próprio?
Acredito que este foi o tempo preparado por Deus para que esta gravação acontecesse. Sempre quis que ela fosse diferenciada, produzida com muita qualidade. A ideia surgiu de uma conversa recente com o Déio Tambasco, que produziu o CD. Acredito que este foi um trabalho muito especial, que com certeza nos deixou muito satisfeitos.
Para encerrar, como o sr avalia o Rock nacional, tanto o gospel como o secular?
O Brasil produz música de muita qualidade, que não deixa nada a dever a nenhum outro país. O brasileiro tem ainda uma criatividade aguçada e talento especial para arranjos e composições. É um país abençoado com músicos de muita qualidade e talento.
por @wesleytalaveira no Insoonia

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1 comentários:

  1. Definitivamente não dá mais para ficar dando audiencia para esses senhores que fazem da Palavra motivo de escarnio, e usam-na em proveito proprio.
    Fazer mão (ídolo) para abençoar o povo da igreja ?
    Vocês não sentem nada na consciencia de vocês, não , quando dão espaço para Judas ?

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