2 de mar de 2013

Uma oração de um servo de Deus sobre sua depressão


A oração abaixo é de um servo de Deus – você saberá quem é no final do artigo – que foi alcançado pelas garras da depressão. Um testemunho forte de alguém que dedicou sua vida a Deus e, num dado momento, se viu doente e quase sem forças… terá ele conseguido vencer essa batalha? Teria conseguido vencer a doença do século? Vejamos sua oração sincera diante da depressão:

“Ó Deus, não preciso nem devo ocultar de ti o que está se passando comigo. Estou confuso, desnorteado, inseguro, perturbado, triste. Pensei que esta crise iria acabar logo e ela não acabou. Sinto-me preso numa cela sem janelas. Não vejo o sol há muitos dias. Só vejo sombras. A escuridão me rodeia. Não enxergo o que há de bom nesta vida.

Minha memória está contra mim. Não consigo me lembrar dos acontecimentos bons do passado. Mas, dos acontecimentos maus, me lembro de tudo. Até de pormenores desagradáveis que estavam definitivamente sepultados. Minha mente está catalogando todas essas lembranças. Estou perdendo por completo aquela esperança que sempre me acalentava e me movia para frente.

Vejo sofrimento em toda parte, até onde ele não existe. Os maus sofrem e os bons também sofrem. Antes era assim, agora é assim e amanhã será assim. Muitos morrem de fome, muitos morrem na guerra, muitos morrem de Aids, muitos morrem em acidentes de trânsito, muitos morrem em meio a desastres naturais, muitos são assassinados. Sempre estou me recordando do sofrimento de Jó, da matança dos inocentes de Belém, da morte de João Batista, da agonia de Jesus no Getsêmani, do Holocausto, de Hiroshima e dos marinheiros do submarino russo.

Ando preocupado demais com meus familiares. Estou com medo de uma filha ter câncer. Estou com medo do casamento de uma das filhas se acabar. Estou com medo que um acidente de trânsito tire a vida de meus netos ou os deixe paraplégicos para sempre. Estou com muito medo de alguém da família se desviar da fé. Estou com medo de meus filhos não serem bem sucedidos na educação de seus filhos no temor do Senhor. Ando sensível demais. Meu amor por meus familiares anda estranho. É um amor nervoso, cheio de medo, cheio de apreensões, cheio de esquisitices.

Estou tendo dificuldade de ler a Bíblia. Estou tendo dificuldade de orar. Atividades que sempre fiz com enorme prazer e proveito. A comunhão contigo, outrora fácil, está agora difícil. Aquela sensação de que Tu me abençoavas dia após dia praticamente acabou. Estou vivendo pela fé e não por emoções. Minhas certezas estão em queda. Todavia estou resistindo, estou clamando, estou esperando.

Ainda me resta um pouco de bom senso, que estou segurando com ambas as mãos para que não se perca. Com esse resto de bom senso, estou lidando com minhas culpas. Não tenho aceitado qualquer acusação que me venha à consciência. Aceito a acusação de que sou um homem nascido em pecado e de que carrego dentro de mim o estigma do pecado. Reconheço a pecaminosidade latente. Mas tenho conseguido, ó Deus, com o teu auxílio, rejeitar a acusação de todos aqueles pecados já confessados e perdoados. Qualquer comportamento duvidoso tenho colocado diante de ti para que me esclareças quanto ao certo e ao errado.

Ó Deus, perdoa-me por me encontrar desse jeito. Tenho vergonha de estar assim. No momento eu não sou eu. Sou outro. Sou um estranho até para mim mesmo. Sem dúvida, estou doente. Preciso de tratamento. Tem misericórdia de mim, Senhor! Cura-me totalmente desta depressão. Afasta para bem longe de mim este quadro doentio. Torna a dar-me alegria, estabilidade emocional, segurança pessoal. Livra-me desta dor apertada no peito, de quem está assustado e medroso. Aumenta as minhas certezas, as minhas velhas convicções. Aumenta a minha fé, a minha velha confiança em ti. Aumenta a minha esperança de cura e a minha esperança de novos céus e nova terra, onde não haverá tristeza nem dor, nem guerras, nem mortes. Socorre-me nesta hora, ó meu Senhor. Peço-te este livramento em nome de Jesus! Amém.”

(Esta oração recorda a experiência pela qual passou o pastor Elben M. Lenz César, diretor da Editora Ultimato, no segundo semestre de 2001, pela primeira vez em 70 anos de vida. Depois de muita oração própria e alheia, e assistência médica, o autor saiu do estado depressivo que o acometera.)

Por André Sanchez

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