14 de abr de 2013

As Casas dos Mortos: A realidade dos Manicômios Judiciários brasileiros


Desde 1921, quando o primeiro hospital para loucos que cometeram crimes foi fundado no Rio de Janeiro, nunca se soube exatamente quantos eles eram, qual delito praticaram, o tempo que passam confinados, quem foram suas vítimas e quais são os seus transtornos mentais. Noventa e um anos de invisibilidade foram rompidos com uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça e obtida com exclusividade pelo Correio. O estudo não apenas tirou essa população do anonimato, mas também revelou absurdos de um sistema que deveria cuidar do doente mental que, num momento de surto, cometeu um crime.


Por trás de grades, contidos em leitos, andando por pátios de instituições envelhecidas, 3.989 homens e mulheres são o retrato fiel de um sistema muito mais "medieval" que os presídios comuns, para usar uma definição recente do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao se referir às penitenciárias brasileiras. Histórias de sobreviventes da clausura compulsória, tempos de confinamento que superam a pena máxima permitida no país, atraso de anos na realização de exames para desinternação




ESTABELECIMENTOS



O estudo encomendado pelo Ministério da Justiça aponta que existem 23 hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico no Brasil e três alas dentro do sistema penitenciário comum para atender pessoas que cumprem medidas de segurança, tratamento compulsório imposto a doentes mentais que cometeram crimes sem compreender o que fizeram e, por isso, são considerados inimputáveis (isentos de pena). O Sudeste aparece com 38% dos estabelecimentos, seguido por Nordeste, com 31%. Na região Sul havia 12%, mesmo índice do Norte. O Centro-Oeste aparece com apenas 8% dos estabelecimentos. Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo têm, cada um, três unidades para loucos infratores



As imagens desses locais são bastante desoladoras e mostram um verdadeiro abandono e o forte descaso social:






A CASA DOS MORTOS


Bubu é um poeta com doze internações em manicômios judiciários. Ele desafia o sentido dos hospitais-presídios, instituições híbridas que sentenciam a loucura à prisão perpétua. O poema A Casa dos Mortos foi escrito durante as filmagens do documentário e desvelou as mortes esquecidas dos manicômios judiciários. São três histórias em três atos de morte. Jaime, Antônio e Almerindo são homens anônimos, considerados perigosos para a vida social, cujo castigo será a tragédia do suicídio, o ciclo interminável de internações, ou a sobrevivência em prisão perpétua nas casas dos mortos. Bubu é o narrador de sua própria vida, mas também de seu destino de morte. Assista:



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